Sobre mocinhos e bandidos


Por Alyson Oliveira

Manifestações, presidente deposto, golpe, tropas armadas, discursos, dinheiro, gana por poder, acordo, desacordos. Assim pode-se iniciar uma conversa sobre a crise entre Rússia e Ucrânia. Ou seria Rússia e União Europeia? Não é possível afirmar, sem correr o risco de errar, quem é o “mocinho” e quem é o “bandido” da história. De um lado temos a Ucrânia e seus aliados, e do outro, a Rússia.

Questões desse tipo sempre terão como um dos principais causadores de discórdia os interesses econômicos. Ucrânia e Rússia tinham um bom relacionamento comercial, até a chance de adesão ao bloco da UE (União Europeia) que a primeira teve, deixando o então presidente, Viktor Yanukovich, sem muitas opções. Ao desistir de acordos comerciais com o Ocidente e preferir os russos, o presidente ucraniano assinou uma folha em branco, onde pode se ler semanas depois uma “carta de demissão” da presidência do país. A intenção era estreitar ainda mais as relações com a Rússia, de Vladimir Putin. Com essa ação, o presidente da Ucrânia sofreu o que Solange Reis, coordenadora do Observatório Político dos EUA, chamou de “golpe da ultradireita, influenciado diretamente pela UE e EUA”.

Após a decisão do presidente ucraniano, as ruas de Kiev foram tomadas por manifestantes que invadiram o palácio presidencial. Com a destituição já decidida pela Rada Suprema (parlamento), em fevereiro de 2014, a libertação da ex-primeira ministra e opositora, Yulia Tymoshenko, que cumpria pena por corrupção, também foi aprovada. Tudo aconteceu tão rápido, em caráter de urgência e sem nenhum debate prévio, que é impossível ser ingênuo e não pensar em um possível conluio. Isto posto, entremos, agora, na Criméia.

Os russos sempre consideraram a Criméia parte de seu território, algo que os ucranianos não admitem. O presidente russo, Vladimir Putin, reiterou isso por várias vezes em seu discurso após a decisão em referendo pela anexação da Criméia como território russo. “Colegas, no coração e na mente do povo, a Criméia sempre foi parte inseparável da Rússia. Essa firme convicção é baseada na verdade e na justiça e foi transmitida de geração em geração ao longo do tempo, sob todas as circunstâncias, apesar das muitas mudanças dramáticas pelas quais passou nosso país ao longo do século 20.”, disse Putin a membros do Conselho da Federação e aos deputados da Duma, em seu discurso. Alguns podem se perguntar o que uma coisa tem a ver com a outra, simples: mais da metade da população da Criméia para ser mais específico, é composta por russos, além dos ucranianos residentes lá (por volta de 350 mil) que consideram o russo como idioma nativo.

A Criméia era sim parte da Ucrânia mas, assim como num referendo em que a população optou pela reunificação à Rússia, em um outro, pediram a separação da Ucrânia. Até o dia 10 de março as tropas russas que foram enviadas à Crimeia pelo presidente tomaram as bases militares ucranianas sem qualquer tipo de violência. Ainda assim, em Kiev, o governo via isso como uma ofensiva russa. Assim,  governo dos Estados Unidos resolveu cortar a Rússia do G-8 e suspender o encontro que seria realizado em Sochi. Barack Obama ainda ameaçou Putin, dizendo que o preço a pagar por essas ações não seria nada baixo. Alguma dúvida de que o interesse econômico é o grande causador dessa discórdia toda?

Já ouvi pessoas dizendo que, com a inteligência tecnológica que Estados Unidos e União Europeia têm, a Rússia não teria tanta chance, já que sempre investiu mais em armamento do que em tecnologia. Difícil afirmar isso, até porque onde há armamento pesado, pressupõe-se que há inteligência suficiente para usá-lo em qualquer situação.

Além da “ofensiva”, a Ucrânia também acha inconstitucional o referendo realizado na Criméia, assim como também é considerado inconstitucional o referendo feito na Catalunha, para que ela se torne um Estado independente, mesmo que o plenário do Tribunal Constitucional da Espanha tenha aprovado o referendo e a declaração de soberania feita pelo Parlamento Catalão, no início de 2013.

Outra questão é o caso do referendo realizado, também no início do ano passado, para saber quem tem total domínio sobre as Ilhas Malvinas, Argentina ou Reino Unido. Desde 1833 nossos vizinhos, que foram chamados de “encrenqueiros”,  reivindicam o domínio sobre esse território, que fica a 400 quilômetros da costa argentina e a mais de 12 mil quilômetros de Londres. Por sinal, as Ilhas possuem mais descendentes de ingleses do que qualquer outra nacionalidade. Mas, como já dito, a Criméia também possui a maioria de russos habitando aquele território.

Colocado tudo isso em questão, fica uma dúvida: porque é que esses dois referendos, da Criméia e da Catalunha, são considerados inconstitucionais, e o das Ilhas Malvinas está corretíssimo?

Difícil afirmar quem são os “mocinhos” e quem são os “bandidos” dessa história toda.

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E se fosse um Flash Mob?


2014 é ano de Copa do Mundo, de eleições presidenciais, e parece que assim como outros, teremos muita polêmica até o dia 31 de dezembro. Em 2013 tivemos o Brasil campeão da Copa das Confederações em junho, mesmo mês em que o país foi tomado por manifestações que reivindicavam, entre outras coisas, o fim da corrupção. O “Rolezinho” é o assunto da vez.

A palavra, em sua grafia normal, rolê, significa dar um passeio e, a priori, é exatamente isso que acontece. Um grande encontro marcado por jovens através de redes sociais para se conhecerem, tirarem algumas fotos, trocar contatos (apenas os que faltam), e só. Esse tipo de evento começou em dezembro de 2013, e levou aproximadamente 6.000 jovens ao Shopping Metrô Itaquera, Zona Leste de São Paulo, assuntando clientes e lojistas. É claro que, para quem trabalha em shopping, uma grande movimentação é normal, mas algo em torno de 6.000 pessoas já é quase uma catástrofe.

Mas, vamos assinalar alguns pontos, tanto bons quanto ruins: shopping é um lugar privado de uso público, ou seja, entra quem quer; passar de uma movimentação diária em um shopping para quase 6.000 pessoas de uma hora pra outra realmente assusta; sair da sua casa, seja ela em um bairro nobre ou na periferia, para conhecer alguém é absolutamente normal; proibir qualquer pessoa de entrar em um shopping é um absurdo, assim como fechá-los para evitar os “rolezinhos” também é. Mamonas Assassinas, como bem lembrou Elio Gaspari em sua coluna no jornal O Globo, já cantavam:

Esse tal Chópis Cêntis

É muicho legalzinho

Pra levar as namoradas

E dar uns rolêzinhos

A letra é simples, e diz exatamente o que é para acontecer nesses eventos, levar as namoradas para dar uma volta, ou mesmo conhecer gente nova e já ficar passeando por lá.

Os organizadores de “rolezinhos” na internet são os chamados “famosinhos”, jovens que conseguem muitos seguidores na web com vídeos de músicas compostas ou cantadas por eles. Seus seguidores são como fãs, curtem fotos, vídeos, seguem o “famosinho” em todas as redes sociais e sempre quiseram conhecê-los. Assim é formado o tal “rolezinho”, todo mundo se junta e escolhe um lugar para se encontrarem, tirarem fotos, chorar (sim, os seguidores de famosinhos choram ao encontrá-los).

Querer proibir alguém de entrar na sua casa é algo normal, afinal, lá é um local privado e de uso privado. Agora tentar impedir que qualquer pessoa entre em um local privado de uso público apenas porque a mesma não tem uma vida financeiramente boa é um retrocesso, é querer voltar aos tempos de Casa Grande e Senzala e impedir que o escravo entre na mansão. Quando uma empresa faz propaganda de um produto, ela quer instigar o desejo de todo mundo a comprar aquilo, e “todo mundo” inclui os menos favorecidos financeiramente. Impedir o “rolezinho” no shopping é praticamente isso, impedir que o jovem desfrute do prazer que o simples olhar pode trazer.

O problema é que muitos irão dizer: “Teve quebra-quebra, furtaram lojas e etc”. É claro que, infelizmente, ocorreram fatos assim, e isso já era de se esperar. Mas, alto-lá, antes de me julgarem, vamos às justificativas: é mais do que óbvio que num lugar onde há grande concentração de pessoas sempre haverá alguém mal intencionado, e não precisa ir muito longe para enxergar isso, basta lembrarmos das manifestações de junho passado, que tinham a intenção de, além de reivindicar melhorias, serem pacíficas. Alguma foi? Havia de tudo nesse tipo de evento, desde as pessoas que entendiam do assunto e sabiam o que estavam fazendo, até pessoas que queriam apenas dar em cima das mulheres/jovens que participava. Um garoto passou ao meu lado e disse ao amigo: “Aqui tem muita mulher bonita, vou beijar muito!”.

Viram como não foi preciso pensar muito?

Ao que tudo indica, querem privar os jovens de um direito, e a repercussão se mostrou tão negativa, tão “perigosa”, que nesta segunda-feira, 03 de fevereiro de 2014, o site do portal UOL noticiou que as “Marcas de grife têm vergonha de seus clientes mais pobres”. As empresas não foram identificadas na pesquisa feita pelo Instituto Data Popular, mas foi revelado que algumas marcas se sentem incomodadas com o fato de terem associação com o povo da periferia. Enquanto algumas ficaram preocupadas, outras viram no aumento de renda da classe C uma grande oportunidade de negócio. “Depois da consultoria, duas marcas ainda insistiram em se descolar da classe C, enquanto outras quatro quiseram entrar”, essa fala vem de Renato Meirelles, diretor do Instituto Data Popular. Que coisa, não?

O mesmo instituto divulgou em janeiro que a renda total dos jovens de classe C é de R$ 129,2 bilhões, maior do que a renda das classes A, B e D juntas, que é de R$ 99,9 bilhões. Com essa informação, percebemos que o problema não está no medo de jovens freqüentarem shoppings destinados a classe média e alta, já que possuem dinheiro para isso. Como diz um velho ditado, “O buraco é mais embaixo”, a classe média-alta está com medo de perder espaço para as classes emergentes, medo de “perder” um direito que é válido para todos, mas que, em decorrência da história, sempre foi destinado à ela.

Só me resta uma dúvida: se fossem jovens de classe média ou alta a fazerem esses encontros, essa repercussão toda existiria? O nome disso seria “Rolezinho” ou seria “Flash Mob”?

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Impunidade?


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, deu na última quarta-feira, 18 de setembro de 2013, o voto de desempate sobre os embargos infringentes da Ação Penal 470, o famoso “mensalão”. O voto a favor dos embargos fará com que 12 acusados no caso sejam julgados novamente pelo crime de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, e, dentre os 12, estão José Dirceu, ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Genoino, ex presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), o empresário Marcos Valério e Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT.

O Código de Processo Penal Brasileiro explica, no Art. 609,  o seguinte:

“Parágrafo único: Quando não for unânime a decisão de segunda instância, desfavorável ao réu, admitem-se embargos infringentes e de nulidade, que poderão ser opostos dentro de 10 (dez) dias, a contar da publicação de acórdão, na forma do art. 613. Se o desacordo for parcial, os embargos serão restritos à matéria objeto de divergência.”

No caso do julgamento do “mensalão”, 12 réus tiveram 4 votos a favor da absolvição (João Paulo Cunha, condenado por lavagem de dinheiro, obteve 6 votos pela condenação e 5 pela absolvição). O artigo 333 do regimento interno do STF prevê que os embargos infringentes podem ser apresentados por réus que tiveram ao menos quatro votos pela absolvição, mas que foram condenados pela maioria. Explicado isso, os 12 réus da Ação Penal 470 poderão ter seus casos reanalisados.

Ministro Celso de Mello. Foto: Diário de notícias

Ministro Celso de Mello. Foto: Diário de Notícias

Alguns, ou talvez muitos dos brasileiros, estão se sentindo como palhaços, dizendo pra Deus e o mundo que “no Brasil a impunidade reina”, que nesse país “tudo acaba em pizza” e etc., mas, será que é isso mesmo? Na semana que antecedeu o voto do ministro Celso de Mello, sobrou tempo, e faltou espaço, para a imprensa fazer pressão para que o ministro rejeitasse os embargos, entrando assim (já estava dentro), no oba-oba das manifestações de julho, nas quais foram reivindicados melhorias na saúde e educação, além do fim da corrupção e da impunidade. Dois dias antes do “voto de minerva”, Paulo Moreira Leite escreveu um artigo, no site da revista IstoÉ Independente, comentando a pressão da mídia sobre o voto, e resumiu tudo em uma única frase: “São atos baixos e condenáveis. Nenhum país progrediu através de golpes na sua legislação e na sua democracia. ” Seria correto dar um voto tão importante como esse, ignorando a legislação e seguindo “editoriais histéricos”, como escreveu Pedro Serrano, no site de Carta Capital?

No dia do voto de Celso de Mello, Lourdes Nassif fez uma análise sobre o que os “jornalões” traziam em suas páginas, mostrando como, cada um a seu modo, pressionavam o ministro em seu voto. Mais tarde, após a escolha do ministro em aceitar os embargos, parte da imprensa começou a veicular que “os mensaleiros teriam novo julgamento”, pelo menos essa era a manchete, feita apenas para “vender” a notícia. O que acontecerá é uma nova análise, apenas nos casos em que os réus receberam 4 votos para absolvição, ou 5, no caso de João paulo Cunha.

Confesso que me espantei com a pouca manifestação que vi em minhas timelines nas redes sociais. Como de costume, imaginei várias pessoas compartilhando fotos, frases ou apenas palavras como “pizza”, “palhaço”, “vergonha”. Existiram, mas foram poucas.

Após a aceitação dos embargos, um dos melhores, se não o melhor, comentários que ouvi sobre a decisão do ministro Celso de Mello foi do jornalista Kennedy Alencar para a Rádio CBN. Em certa altura, o jornalista diz:

“O que o ministro Celso de Mello deixou claro hoje é que os embargos infringentes são uma garantia, que é abraçada pela lei brasileira, pela Constituição, pelo direito brasileiro. E essa medida não é só pra beneficiar o réu do atual caso, não é uma medida casuística pra beneficiar o José Dirceu, é uma decisão pra sociedade inteira. Então, acho que falar de impunidade aí está errado…”

Kennedy lembrou que não há como dizer que o voto significa impunidade para José Dirceu, por exemplo, pois o mesmo já está condenado por corrupção ativa e não poderá recorrer da decisão. Precisamos também, como disse o jornalista, nos lembrar que há crimes de corrupção que nem sequer investigados foram, como o caso de compra de votos para aprovar a emenda de reeleição durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.

Um dia após o voto, dizem que o presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, “teve sua “primeira grande derrota no caso”, chamando os embargos infringentes de “sobrevida dos réus”.

Diante de tudo isso, fica a pergunta: Quem realmente perdeu?

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“Partidos de mentirinha” – Agem em prol de si mesmos


Na semana em que Renan Calheiros foi presidente da República por um dia, e pela segunda vez (a primeira foi em 2006, ainda no governo Lula), o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, foi manchete das capas de jornal do país. Na segunda-feira, 20, os “jornalões” informavam que o presidente do STF disse que o Brasil tem partidos políticos de “mentirinha” e que o Congresso Nacional é “dominado pelo Poder Executivo”.

“Nós temos partidos de mentirinha. Nós não nos identificamos com os partidos que nos representam no Congresso, a não ser em casos excepcionais. Eu diria que o grosso dos brasileiros não vê consistência ideológica e programática em nenhum dos partidos. E tampouco seus partidos e os seus líderes partidários têm interesse em ter consistência programática ou ideológica. Querem o poder pelo poder”. Essa foi a frase de repercussão de Joaquim Barbosa, dita durante uma aula de Direito Constitucional no Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB), da qual Barbosa é professor. Comecemos por esse fato: além de ministro e presidente do STF, Joaquim Barbosa também é professor, e a “polêmica” frase foi dita na posição de docente, e não de presidente, o que o isenta de muita coisa, segundo nota divulgada pelo próprio Supremo, na tarde do mesmo dia.

Na condição de acadêmico e professor, deu aula de Direito Constitucional, com foco no tema “Presidencialismo” e separação de Poderes. Ao responder a questionamentos de alunos, expressou opiniões sobre o sistema de governo adotado no Brasil, na perspectiva do funcionamento ideal das instituições. Ou seja, um estímulo ao desenvolvimento do senso crítico e da cidadania daqueles jovens alunos. Esse é o contexto no qual os comentários e observações feitos devem ser observados. (Trecho da nota oficial à imprensa, emitida pelo Supremo Tribunal Federal)

Mas qual seria o significado de “partidos de mentirinha”? O professor da FACAMP (Faculdades de Campinas), Enio Passiani, mestre e doutor em Ciências Sociais pela USP (Universidade de São Paulo), concorda parcialmente com a declaração, e explica o que Joaquim Barbosa quis dizer: “Os partidos não tem projetos de governo, mas sim de poder, pensam em si próprios, e pode se dizer isso de modo generalizado”. O professor dá o exemplo da #REDE, partido que Marina Silva fundou, e que não se posiciona nem como Esquerda e nem como Direita, mas também tem o mesmo objetivo dos outros, que é chegar ao governo. “O PT se perpetua no poder com as alianças que faz, como Lula fez com Fernando Haddad em São Paulo”, diz ele. Ou seja, todos “Querem o poder pelo poder”.

Entende-se com isso que os partidos lutam para chegar ao poder, e ao mesmo tempo que colocam projetos de governo em prática, estrategicamente lutam para se manter no poder.

A aula de Joaquim Barbosa fez com que o vice-presidente da Câmara dos Deputados, André Vargas (PT), levantasse uma dúvida: o atual presidente do Supremo Tribunal Federal está preparado para ocupar o cargo?  “Esse comportamento para presidente de um Poder é irresponsável. Ele não está preparado para o cargo. Ele está apostando em uma crise [com o Legislativo], enquanto nós acreditamos numa convivência saudável, responsável e harmoniosa”, disse o deputado à Folha de S. Paulo. Nesse quesito, Enio criticou o Deputado. “Ele (André Vargas) está politizando o discurso. É claro que o ministro está preparado para o cargo, mas cada um pode concordar ou discordar com as posições dele”, diz, e completa: “Assim como não concordo com algumas atitudes dele no julgamento do mensalão”. O professor não entrou em detalhes, mas lembrou que Joaquim Barbosa foi escolhido para ser ministro pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e que se não estivesse preparado, nem ministro seria. “O grande problema é que ele se deixou seduzir pela mídia. Acha que tudo o que diz é inteligente”, diz Enio. O presidente do STF ganhou proporção por ter sido relator da ação penal 470, chamada de “mensalão”, e com isso ganhou o título de “herói da nação”, o qual ele rejeita.

Após o julgamento do “mensalão”, praticamente tudo o que Barbosa diz toma uma enorme repercussão, sempre com a ajuda da mídia. Talvez por esse motivo o momento político do Brasil não seja bom. “É ruim, e não só no Brasil. O Estado é parcialmente patrimonialista, age em prol de seus próprios interesses”, diz Enio Passiani, que taxa uma parte disso para a mídia, além de notar que a sociedade é pouco mobilizada para assuntos relacionados à política. Para ele, os interesses partidários e de classe estão muito acima do interesse público, o que faz com que veículos de comunicação tomem partido e se revelem com um lado político, assim como a revista Veja e os jornais O Estado de S. PauloFolha de S. Paulo.

Em resumo, a mídia brasileira tem uma parcela de responsabilidade pelo atual momento político do país, por se posicionar declaradamente como oposição ao governo federal. Assim, algumas frases e situações que já aconteceram em governos anteriores não são lembradas. Apenas para uma reflexão, vejam a diferença de repercussão entre a frase dita por Joaquim Barbosa e a suposta saída de José Serra do PSDB.

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A “Bolsa Crack” e algo que os internautas deveriam saber


A internet é, realmente, algo que também consegue manipular a mente das pessoas, mesmo que eu pense que só é manipulado quem quer. Digo isso pelo simples fato de as pessoas passarem a maior parte do tempo atrás da tela de um computador, navegando pelas redes sociais e compartilhando fotos em que, na maioria das vezes, critica a ajuda (ou tentativa de ajuda) que o governo se propõe para com a população.

E conforme você vai analisando, fica complicado entender: as pessoas reclamam que os prefeitos, governadores, deputados, senadores e a Presidenta da República “não fazem nada”, além de levar o Brasil para o abismo; quando essas mesmas pessoas, que são atacadas, tem a ideia de fazer um projeto bacana, mesmo que seja mais uma “Bolsa”, todo mundo sai falando mal, reclamando que o auxílio é alto e tudo mais. Vejam só, não quero fazer campanha política e muito menos promover ninguém, mas hoje vi a necessidade de defender o governador tucano de São Paulo, Geraldo Alckimin.

Ontem, quinta-feira, 09 de maio de 2013, circulou a notícia de que o estado de São Paulo deverá ter o que estão chamando de “Bolsa Crack”, um programa anunciado pelo governador do estado para dar auxílio às famílias que tenham integrantes usuários de crack. Não é necessário especificar os males que essa, e outras drogas, faz a saúde do ser humano. Pois bem, hoje, um dia depois do anúncio, vejo várias imagens (ver imagem abaixo) circulando nas redes sociais que criticam o programa.

Imagem que circula nas redes, criticando o programa

Imagem que circula nas redes, criticando o programa

O “Bolsa Crack”, como ficou conhecido, possui o Cartão-Recomeço, no qual as famílias de dependentes receberam um auxílio no valor de R$ 1.350,00 por mês para tratamento do parente usuário do crack. Como informou o portal Terraesse cartão “é uma parceria entre o governo paulista e clínicas especializadas no tratamento de dependentes químicos” e não funciona como um cartão de banco, como muitos já pensaram por aí. O valor é repassado do governo para as clínicas de tratamento cadastradas no programa, ou seja, nem a família e nem o paciente podem pegar esse dinheiro pra fazer o que bem entender. O Cartão Recomeço funcionará apenas nas clínicas, sem possibilidade de usá-lo para fazer compras no shopping ou então ir pra balada e gastar tudo.

Algo engraçado é que, na mesma página em que encontrei a imagem acima, estava um link, onde diz que o secretário de Estado de Desenvolvimento Social, Rodrigo Garcia, não detalhou quais serão os critérios para o uso do cartão. Detalhe: ao final do post, está escrito “CONTEÚDO ESTADÃO”. Impressionante, não? As matérias foram publicadas no mesmo dia, e no portal Terra, o secretário explica as funções do cartão e do programa, sem contar que, como um ouvinte assíduo das rádios de notícias, durante todo o dia de ontem se falou sobre a “Bolsa Crack”, com todas as informações necessárias.

Sendo assim, volto ao início deste post, quando disse que na internet, só é manipulado quem quer. Se as pessoas “perdessem” cinco minutos do seu tempo diário de rede social, pelo menos, já seriam o suficiente para encontrarem várias respostas relacionadas a imagem que circula na internet. Uma simples “googada” já resolveria o problema, e nos pouparia de imaginar coisas que não acontecem de verdade.

Nem sempre, rede social é lugar de informação.

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Um pastor e a Comissão de Direitos Humanos


Em um ano pré eleitoral, nos últimos dias o que mais se espera ver em jornais, telejornais e revistas são notícias sobre possíveis candidatos, suas alianças políticas e algumas pesquisas. É o que vem acontecendo, mas além disso, o que se lê também, e está em destaque nos sites de notícias quase todos os dias são matérias sobre uma comissão na câmara dos deputados que, segundo seu presidente, é secundária. Sim, estou falando da Comissão de Direitos Humanos, na qual o deputado federal por São Paulo e pastor, Marco Feliciano (PSC), foi nomeado presidente recentemente.

Falando dessa maneira, sobre a nomeação de alguém para presidir uma comissão, muitos não dariam a mínima atenção, a não ser que o nomeado esteja sendo acusado de racismo e homofobia, além de responder por estelionato. Depois da nomeação de Feliciano para presidir essa comissão, o que mais se vê na mídia são matérias com twitters e frases dele, dizendo que os africanos são amaldiçoados entre outras coisas. Vejam só, não estou acusando e nem defendendo ninguém, apenas colocando um ponto de vista.

A mídia, principalmente hoje, junto com as redes sociais, tem um poder incrível de persuadir as pessoas. Muitas vezes, frases são inventadas e postadas como se determinada pessoa as tivesse dito, e há também determinadas coisas que são praticamente impossíveis de acontecer, mas que pela vontade de alguns, se torna um sucesso na internet, fazendo com que alguns jornais façam daquilo uma pesquisa e saiam perguntando para personalidades o que acham de determinado assunto. Isso aconteceu com um repórter do Valor Econômico, ao perguntar ao ex-presidente Lula em uma entrevista, o que ele achava da candidatura do ministro e presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) à Presidência da República. A candidatura do ministro foi um fato meio isolado, mas que alguns veículos expuseram pelo simples fato de ele ter se tornado o “herói” da nação por ter julgado a Ação Penal 470, mais conhecida como “Mensalão”.

Mas voltemos ao pastor Marco Feliciano. No jornalismo, uma das primeiras coisas que aprendemos é que deve-se ouvir as duas versões da mesma história, sem pender para lado algum. A mídia, algumas vezes até tenta, mas em alguns quesitos, parece que o poder das redes sociais é maior. Pois bem, hoje, o que se encontra sobre o assunto “Comissão de Direitos Humanos” é que Feliciano disse que, até sua chegada na presidência da comissão, ela era presidida por Satanás. O jornal O Estado de S. Paulo, além da Folha de S. Paulo também, procuraram a assessoria de imprensa do deputado para esclarecer mais uma de suas frases polêmicas, e a resposta foi a de que “o deputado fez as declarações em Passos na condição de pastor, e não na de parlamentar.”. Me corrijam se eu estiver errado, mas todas as frases que ele disse, e que tiveram mais visibilidade depois de sua nomeação para a presidência da comissão foi como pastor, e não como parlamentar.

Mas há um fato curioso, que a mídia não se lembra, ou pelo menos não quer enxergar: Marco Feliciano esteve no programa Agora é Tarde, da TV Bandeirantes, na semana passada, foi entrevistado pelo humorista Danilo Gentili, e disse que não se arrepende de nada que tenha dito até hoje, pois não cometeu crime nenhum. Quando soube que ele estaria no programa, logo pensei que ele se tornaria motivo de piada do humorista, já que, como o próprio Danilo disse no início da entrevista, foi uma surpresa Feliciano ter aceitado o convite, pois desde que começou a presidir a comissão, o Agora é Tarde foi um dos maiores piadistas, não só com ele, mas com o fato também. Telespectador do programa, eu sabia que teriam coisas interessantes nessa entrevista, além é claro, de piadinhas. O fato é que, nesse dia, o deputado teve a chance, que talvez não tenha tido nos jornalões, de dar sua versão da história, de se defender e de, como ele mesmo disse, falar a verdade, já que “Até hoje, eu só tive a oportunidade de dizer a verdade em programas de humor”. Essa foi sua fala, logo no início da entrevista.

A entrevista, na minha opinião e apesar de ter sido feita por um humorista, foi sensacional, contando com as piadas que Danilo fez com o pastor também. Acho que algumas verdades, não todas, foram ditas ali, e o pastor teve a oportunidade de se explicar, tanto na questão de racismo quanto na de homofobia. E até disse uma frase que parei pra pensar: “Se as pessoas quiserem se beijar, beijem, façam o que quiserem! Mas não na frente dos meus olhos”. E assim surge uma questão: Somos obrigados a ver, tanto um casal hétero quanto um casal gay, a se beijarem no meio da rua? É só uma reflexão.

Ao final da entrevista, Feliciano citou algumas das áreas nas quais a Comissão de Direitos humanos pode atuar, e a deixa de Danilo Gentili não poderia ser melhor:“Existe um milhão de coisas pra se trabalhar, e o senhor preocupado se um bixa beija o outro na rua”.

A conclusão que se pode chegar é a de que, às vezes, programas de humor nos dizem coisas que quem deveria, não o faz.

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Um show para inaugurar a fachada?


Há exatos 20 dias, publiquei um texto neste blog, o qual falava sobre a inauguração de um hospital na cidade de Sobral, que fica a 240 km de Fortaleza, no Ceará. Hospital este que teve a ilustre presença da cantora baiana Ivete Sangalo, fazendo um show para a abertura daquele que é chamado pelo governador do estado, Cid Gomes (PSB), como o maior do interior do Nordeste.

R$ 650 mil. Esse foi o valor desembolsado pelo governo para pagar o show de Ivete, lembrando que o dinheiro é público, e que o governador Cid Gomes disse, à época, que “Ricos é que questionam essas coisas, mas o povo precisa de saúde e educação e também de diversão”. E hoje, 18 de fevereiro de 2013, vejo que a fachada do hospital caiu, devido a uma chuva de 50 minutos, acompanhada de ventos fortes. No sábado, 16, foi constatado que a estrutura não estava firme.

A queda da estrutura metálica, que aconteceu no domingo, ainda feriu um engenheiro e um operário que faziam manutenção no hospital.

Mas e agora? Qual será a reação do governo para apurar o ocorrido? O jornal Folha de S. Paulo diz que o governo já procurou explicações com a empresa responsável pela obra, a Marquise/EIT. Um obra desse porte, novinha em folha, com o status de maior do interior do Nordeste, deveria oferecer o mínimo de segurança. A sorte é que o hospital tem previsão de funcionamento apenas para maio, mesmo assim, houve vitimas. Os dois homens receberam os primeiros socorros do SAMU, e depois foram levados para a Santa Casa de Misericórdia da cidade, onde realizaram exames e receberam alta.

Além de saúde, educação e diversão, o povo precisa de segurança também, não é governador? Só espero que não haja outro show, para inaugurar a “nova” fachada do hospital.

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O grande jogador volta à campo


Não! Não estou falando do Paulistão, da Libertadores, do Messi ou de qualquer coisa ligada ao futebol. Estou falando dele, do cara que chamou a atenção de toda a imprensa brasileira no ano passado, com suas declarações “bombásticas”. É ele mesmo, estou falando do publicitário Marcos Valério, que mais uma vez entrará em campo.

Todos sabem que Valério foi condenado a mais de 40 anos de prisão por crimes ligados ao “mensalão”, e tentou, de todas as maneiras possíveis e impossíveis, reduzir sua pena, conseguir proteção pela justiça e tudo o que, para quem irá passar os próximos 40 anos trancado, fosse lucro.

Desde que foi preso, acusado de ser o operador do esquema, Valério vem se mostrando um exímio jogador, daqueles que tiram “cartas da manga” apenas quando lhes convém, com uma “denúncia” num ano, outra no ano seguinte, outra daqui a seis meses. E assim foi caminhando, tentando reduzir sua pena ou ganhar algum tipo de benefício nos seus próximos 40 anos de vida. E os que mais gostam desse tipo de coisa é a imprensa e a oposição.

A última denúncia que veio a público feita pelo publicitário foi a de que o ex-presidente da República, Luis Inácio Lula da Siva, não só sabia de todo o esquema do “mensalão” como também pagou despesas particulares com dinheiro de empréstimo feito por Marcos Valério. O publicitário prestou um depoimento ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, em setembro de 2012, em meio ao julgamento da ação penal 470. Uma jogada de mestre? Talvez, mas alguns acreditam que foi apenas uma tentativa frustrada de redução de pena.

Na ocasião, até mesmo Gurgel disse que é necessário analisar com profundidade todo o depoimento, pois Valério já tentou confundir as apurações do julgamento em outras oportunidades. O procurador-geral da República disse, à época, que o ‘jogador’, na maioria das vezes, “faz declarações que considera bombásticas”, mas que, na hora da análise de tudo, não passam de coisas sem nenhum fundamento.

O depoimento que Marcos Valério prestou à Roberto Gurgel está nas mãos do Ministério Público Federal de Minas Gerais, Estado em que correm outras ações ligadas ao “mensalão” e que foram desmembradas para lá. O setor do MPF que fará a análise do depoimento afirmou que são muitas as informações, e não estipulou um prazo para finalizar o trabalho.

Resta esperar para saber se o publicitário é realmente um craque, ou apenas um peladeiro de final de semana.

 

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Um show que não agradou


Eis que, na quarta-feira pela manhã, 23 de janeiro, por volta das 07h30, ouço Ricardo Boechat, âncora da rádio BandNews FM, falando sobre um cachê pago pelo governo do Ceará à cantora Ivete Sangalo. O motivo foi um show feito pela baiana para inaugurar o Hospital Regional Norte, localizado na cidade de Sobral.

R$ 650 mil por um show da Ivete Sangalo não seria de nenhum espanto, se não fosse por um detalhe: o dinheiro é público, e o show da cantora é um dos mais caros do país. Foram listados outros shows de Ivete pagos por prefeituras do país, e os números giraram entre R$ 400 mil e R$ 500 mil.

No mesmo dia, procuro mais informações sobre o caso, abro o site da Folha de S. Paulo e, “para minha surpresa”, a notícia está em destaque, logo no topo da página principal. Em uma tentativa de justificar o valor pago, o governo do Ceará, Cid Gomes (PSD), irmão de Ciro Gomes, alegou que em um show de réveillon  feito pela própria Ivete, custou aos cofres da cidade, R$ 840 mil. Para o procurador-geral do Tribunal de Contas local, Gleydson Alexandre, um cachê de festa de fim de ano não pode ser levado em conta, pois, segundo ele, os valores sempre aumentam nessa época do ano.

“A lei autoriza que entes públicos contratem sem licitação, mas o Estado não cumpriu a justificativa de preços.”, essa é a frase do procurador-geral, reproduzida na Folha. Segundo informações do jornal, o hospital inaugurado pela baiana custou R$ 227 milhões, e atenderá mais de 1 milhão de pessoas em mais de 50 cidades na região de Sobral. A obra é algo realmente importante, não só para o Estado em questão, mas para qualquer lugar do país. Agora, francamente, precisava de um show, e desse porte, para inaugurar um hospital? Uma obra desse tipo feita pelo governo estadual nem precisa de tanta divulgação assim. A população espera isso dos candidatos que foram eleitos: obras que beneficiem a sociedade. Sem contar que Ivete Sangalo já tem dinheiro de sobra, não precisa de dinheiro público pra sobreviver.

No mesmo dia, Gleydson Alexandre disse que vai pedir o ressarcimento do dinheiro aos cofres públicos. Ivete Sangalo foi procurada para dar explicações, mas por meio de sua assessoria de imprensa, preferiu não comentar o caso.

A Ivete Sangalo realmente é um ícone no Brasil, e como disse Boechat, na abertura do jornal da rádio Band News FM, “Eu preciso da Ivete, você precisa da Ivete, o Brasil precisa da Ivete. Mas a Ivete não precisa disso!”. Concordo, e deixo aqui algo para pensarmos: precisava de todo esse alarde para inaugurar um hospital, por maior que ele seja? O governador Cid Gomes disse que “doa a quem doer”, ele continuará fazendo esse tipo de evento, pois a população precisa de educação, saúde e diversão. Até concordo, mas não é necessário gastar uma fortuna pra isso.

Eis a questão: e quando esse hospital estiver precisando de equipamentos novos, funcionários novos, uma boa manutenção, o governo do Estado terá dinheiro para fazê-lo?

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Mais uma da Veja


Que me desculpem os leitores de Veja, mas mais uma vez ela passou dos limites. O jornalista Ricardo Setti publicou uma foto que ilustrava um post em seu blog sobre o “Caso Rose”, e na foto apareciam Rosemary Noronha, ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo e indiciada pela Polícia Federal por corrupção, falsidade ideológica e tráfico de influência, o ex-presidente Lula e sua esposa, dona Marisa Letícia. Todos sorrindo.

Foto falsa que circulou pela internet. à esquerda, a montagem, e à direita, a foto original.

Foto falsa que circulou pela internet. à esquerda, a montagem, e à direita, a foto original.

A foto circulou pelas redes sociais da internet. Até aí tudo bem, o problema é que a foto era falsa! Exatamente, uma montagem, ou falsificação (como queiram), grotesca. Na foto original, com a qual a montagem/falsificação foi feita, realmente aparecem Lula e dona Marisa, mas ao lado de Neguinho da Beija-Flor e sua esposa, Eliane Reis, no carnaval de 2009. Cortaram Neguinho da Beija-Flor da imagem e colocaram dona Marisa ao lado do ex-presidente, retiraram o rosto de Eliane e inseriram o de Rosemary no lugar. É simplesmente impressionante a tentativa de imaginar onde é que a mídia nativa quer chegar.

Não que eu defenda o nosso querido ex-presidente, mas é impressionante o que a mídia faz para tentar evolvê-lo em escândalos. A capa da Veja dessa semana traz a foto de rosto de Rosemary e Lula em plano de fundo. “ROSEMARY NORONHA – LUIZ INÁCIO A mulher que sabe demais… e o homem que nunca sabe de nada” Depois do ocorrido, o jornalista usou seu blog no site da revista para se desculpar com os leitores pelo que chamou de “erro”.

Foto original, tirada por Ricardo Stuckert / Presidência da República.

Foto original, tirada por Ricardo Stuckert / Presidência da República.

Francamente, um jornalista que trabalha com textos, com fotos, uma pessoa que faz isso todo santo dia tem praticamente 0,0000000001% de chance de “errar” e não perceber que a foto era falsa. Cometer erros, todos cometem, mas esse é quase impossível.

Olhem para a foto original e tirem suas próprias conclusões: seria isso um erro mesmo?

Veja, mais uma vez achando que o público acredita em tudo o que vê e lê.

 

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